
Hugo Fernandes
“Não precisamos de nenhuma educação. Não precisamos de nenhum controle de pensamento”. Os dizeres eram entoados, no fim da década de 70, por uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, o Pink Floyd. A clássica canção “Another Brick In The Wall” (Um Outro Tijolo no Muro, em português), põe em discussão um dos alicerces da nossa sociedade, a educação.
A música faz uma critica ferrenha a escola e a sociedade inglesa daquela década. Para os músicos britânicos do Pink Floyd, os colégios não passavam de um instrumento de formação profissional e intelectual dos cidadãos, fazendo com que as crianças, desde cedo, perdessem sua identidade própria e passassem a pensar como sociedade.
Cerca de 30 anos após a composição deste clássico musical, o estudo é indispensável e a diplomação virou sinônimo de melhores condições de vida. No contexto atual, quem não estuda está à margem da sociedade. E para ser inserido no mercado de trabalho é imprescindível ter qualificação profissional. Mas, se você ainda segue os ideais Pink Floydianos, uma ótima oportunidade chegou à tona.
No mês de junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu provimento a um recurso extraordinário, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo, invalidando a obrigatoriedade da exigência de diploma para exercício da profissão. Ou seja, você agora pode ser jornalista. Qualquer um que não sabe bem o que quer da vida, poderá se aventurar nas páginas dos jornais.
Os ministros do STF não perceberam que a exigência do diploma não limita o direito de expressão de nenhum cidadão, mas sim assegura dentro dos princípios constitucionais a liberdade de profissão, garantindo seu livre exercício “desde que atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer” (CF, art. 5º, inciso XIII).
A obrigatoriedade do diploma funciona como um filtro. Possibilita uma espécie de triagem que visa a construção de um jornalismo ético, comprometido com a verdade e mais responsável na divulgação dos fatos. Se o arquiteto para exercer a sua profissão precisa ter cursado a faculdade de arquitetura, o médico a de medicina, o advogado a de direito, por que querem que só o jornalismo seja exercido sem que o seu profissional tenha a formação superior? Por que o interesse em que o trabalho do jornalista seja exercido por qualquer um?
Fomos comparados a cozinheiros por aqueles briosos, que também podem matar uma pessoa preparando uma comida indigesta. Porém, o que não caiu bem no estomago dos profissionais da imprensa foi a decisão do STF. Indigesto mesmo é aceitar uma categoria se tornar um amontoado de gente. Nem Pink Floyd explica.
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