terça-feira, 25 de maio de 2010
Definição de mulheres e Mulheres
A política está tão repulsiva que vou falar de sexo.
Outro dia, a Adriane Galisteu deu uma entrevista dizendo que os homens não
querem namorar as mulheres que são símbolos sexuais. É isto mesmo. Quem ousa
namorar a Feiticeira ou a Tiazinha?
As mulheres não são mais para amar; nem para casar. São para 'ver'. Que nos
prometem elas, com suas formas perfeitas por anabolizantes e silicones?
Prometem-nos um prazer impossível, um orgasmo metafísico, para o qual os
homens não estão preparados. As mulheres dançam frenéticas na TV, com bundas
cada vez mais malhadas, com seios imensos, girando em cima de garrafas,
enquanto os pênis-espectadores se sentem apavorados e murchos diante de
tanta gostosura. Os machos estão com medo das 'mulheres-liquidificador'.
O modelo da mulher de hoje, que nossas filhas ou irmãs almejam ser (meu
Deus!), é a prostituta transcendental, a mulher-robô, a 'Valentina', a
'Barbarela', a máquina-de-prazer sem alma, turbinas de amor com um
hiperatômico tesão.
Que parceiros estão sendo criados para estas pós-mulheres? Não os há. Os
'malhados', os 'turbinados' geralmente são bofes-gay, filhos do mesmo
narcisismo de mercado que as criou. Ou, então, reprodutores como o Zafir,
para o Robô-Xuxa.
A atual 'revolução da vulgaridade', regada a pagode, parece 'libertar' as
mulheres. Ilusão à toa. A 'libertação da mulher' numa sociedade escravista
como a nossa deu nisso: superobjetos. Se achando livres, mas aprisionadas
numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de
amor, carinho e dinheiro. São escravas aparentemente alforriadas numa grande
senzala sem grades. Mas, diante delas, o homem normal tem medo. Elas são
'areia demais para qualquer caminhãozinho'.
Por outro lado, o sistema que as criou enfraquece os homens eles vivem
nervosos e fragilizados com seus pintinhos trêmulos, decadentes, a
meia-bomba, ejaculando precocemente, puxando sacos, lambendo botas,
engolindo sapos, sem o antigo charme 'jamesbondiano' dos anos 60.
Não há mais o grande 'conquistador'. Temos apenas os 'fazendeiros de bundas'
como o Huck, enquanto a maioria virou uma multidão de voyeur, babando por
deusas impossíveis.
Ah, que saudades dos tempos das 'bundinhas e peitinhos' 'normais' e
'disponíveis'... Pois bem, com certeza a televisão tem criado 'sonhos de
consumo' descritos tão bem pela língua ferrenha do Jabor (eu). Mas ainda
existem mulheres de verdade. Mulheres que sabem se valorizar e valorizar o
que tem 'dentro de casa', o seu trabalho. E, acima de tudo, mulheres com
quem se possa discutir um gosto pela música, pela cultura, pela família, sem
medo de parecer um 'chato' ou um 'cara metido a intelectual'.
Mulheres que sabem valorizar uma simples atitude, rara nos homens de hoje,
como abrir a porta do carro para elas. Mulheres que adoram receber cartas,
bilhetinhos (ou e-mails) românticos. Escutar no som do carro, aquela fitinha
velha dos Beegees ou um cd do Kenny G (parece meio breguinha)... mas é tão
bom!!! Namorar escutando estas musiquinhas tranqüilas.
Penso que hoje, num encontro de um 'Turbinado' com uma 'Saradona' o papo
deve ser do tipo: - 'meu'... o meu professor falou que posso disputar o Iron
Man que vou ganhar fácil!.' - 'Ah meu...o meu personal Trainner disse que
estou com os glúteos bem em forma e que nunca vou precisar de plástica'. E a
música??? Só se for o último sucesso '(????)' dos Travessos ou
Chama-chuva...' 'Vai Serginho' e o'Creuu'???...
Mulheres do meu Brasil Varonil!!! Não deixem que criem estereótipos!! Não
comprem o cinto de modelar da Feiticeira. A mulher brasileira é linda por
natureza!! Curta seu corpo de acordo com sua idade, silicone é coisa e
americana que não possui a felicidade de ter um corpo esculpido por Deus e
bonito por natureza.
E se os seus namorados e maridos pedirem para vocês 'malharem' e ficarem
iguais à feiticeira, fiquem... Igual a Feiticeira dos seriados de TV:
Façam-os sumirem da sua vida !!!
terça-feira, 18 de maio de 2010
'A política está tão repulsiva que vou falar de sexo'.
Outro dia, a Adriane Galisteu deu uma entrevista dizendo que os homens não
querem namorar as mulheres que são símbolos sexuais. É isto mesmo. Quem ousa
namorar a Feiticeira ou a Tiazinha?
As mulheres não são mais para amar; nem para casar. São para 'ver'. Que nos
prometem elas, com suas formas perfeitas por anabolizantes e silicones?
Prometem-nos um prazer impossível, um orgasmo metafísico, para o qual os
homens não estão preparados. As mulheres dançam frenéticas na TV, com bundas
cada vez mais malhadas, com seios imensos, girando em cima de garrafas,
enquanto os pênis-espectadores se sentem apavorados e murchos diante de
tanta gostosura. Os machos estão com medo das 'mulheres-liquidificador'.
O modelo da mulher de hoje, que nossas filhas ou irmãs almejam ser (meu
Deus!), é a prostituta transcendental, a mulher-robô, a 'Valentina', a
'Barbarela', a máquina-de-prazer sem alma, turbinas de amor com um
hiperatômico tesão.
Que parceiros estão sendo criados para estas pós-mulheres? Não os há. Os
'malhados', os 'turbinados' geralmente são bofes-gay, filhos do mesmo
narcisismo de mercado que as criou. Ou, então, reprodutores como o Zafir,
para o Robô-Xuxa.
A atual 'revolução da vulgaridade', regada a pagode, parece 'libertar' as
mulheres. Ilusão à toa. A 'libertação da mulher' numa sociedade escravista
como a nossa deu nisso: superobjetos. Se achando livres, mas aprisionadas
numa exterioridade corporal que apenas esconde pobres meninas famintas de
amor, carinho e dinheiro. São escravas aparentemente alforriadas numa grande
senzala sem grades. Mas, diante delas, o homem normal tem medo. Elas são
'areia demais para qualquer caminhãozinho'.
Por outro lado, o sistema que as criou enfraquece os homens eles vivem
nervosos e fragilizados com seus pintinhos trêmulos, decadentes, a
meia-bomba, ejaculando precocemente, puxando sacos, lambendo botas,
engolindo sapos, sem o antigo charme 'jamesbondiano' dos anos 60.
Não há mais o grande 'conquistador'. Temos apenas os 'fazendeiros de bundas'
como o Huck, enquanto a maioria virou uma multidão de voyeur, babando por
deusas impossíveis.
Ah, que saudades dos tempos das 'bundinhas e peitinhos' 'normais' e
'disponíveis'... Pois bem, com certeza a televisão tem criado 'sonhos de
consumo' descritos tão bem pela língua ferrenha do Jabor (eu). Mas ainda
existem mulheres de verdade. Mulheres que sabem se valorizar e valorizar o
que tem 'dentro de casa', o seu trabalho. E, acima de tudo, mulheres com
quem se possa discutir um gosto pela música, pela cultura, pela família, sem
medo de parecer um 'chato' ou um 'cara metido a intelectual'.
Mulheres que sabem valorizar uma simples atitude, rara nos homens de hoje,
como abrir a porta do carro para elas. Mulheres que adoram receber cartas,
bilhetinhos (ou e-mails) românticos. Escutar no som do carro, aquela fitinha
velha dos Beegees ou um cd do Kenny G (parece meio breguinha)... mas é tão
bom!!! Namorar escutando estas musiquinhas tranqüilas.
Penso que hoje, num encontro de um 'Turbinado' com uma 'Saradona' o papo
deve ser do tipo: - 'meu'... o meu professor falou que posso disputar o Iron
Man que vou ganhar fácil!.' - 'Ah meu...o meu personal Trainner disse que
estou com os glúteos bem em forma e que nunca vou precisar de plástica'. E a
música??? Só se for o último sucesso '(????)' dos Travessos ou
Chama-chuva...' 'Vai Serginho' e o'Creuu'???...
Mulheres do meu Brasil Varonil!!! Não deixem que criem estereótipos!! Não
comprem o cinto de modelar da Feiticeira. A mulher brasileira é linda por
natureza!! Curta seu corpo de acordo com sua idade, silicone é coisa e
americana que não possui a felicidade de ter um corpo esculpido por Deus e
bonito por natureza.
E se os seus namorados e maridos pedirem para vocês 'malharem' e ficarem
iguais à feiticeira, fiquem... Igual a Feiticeira dos seriados de TV:
Façam-os sumirem da sua vida !!!
segunda-feira, 26 de abril de 2010
30 Coisas que Aprendi Morando em Cuiabá
2- O aeroporto internacional de Cuiabá não existe. A gente usa do vizinho.
3- Se o relógio estiver marcando 18:20 e você estiver na Av. Isaac Povoas, você está com raiva.
4- Se o relógio estiver marcando 18:20, você estiver na Av. Isaac Povoas e seu carro não tiver ar condicionado, você provavelmente se enforcou com o cinto.
5- Se você ainda não bateu em um dos cruzamentos do bairro Boa Esperança, renove seu seguro, você vai bater.
6- A cidade possui 3 Shoppings, em um deles você vai ao cinema, no outro fazer compras e no terceiro só para almoçar.
7- Segundo indícios, o baguncinha começou aqui. E é verdade, ele valia só 1 real.
8- Chapada dos Guimarães já foi mar.
9- O filme "Inferno de Dante" foi baseado em nossa política.
10- Mas vale um pequi ruído que dois no pé.
11- Se um dos times grandes vier jogar em nosso estádio, aproveite, essa pode ser a única oportunidade da década.
12- Nunca dirija pela estrada de Jangada (ficou estranha essa frase).
13- Festival de inverno é propaganda enganosa.
14- Existem pessoas que comem a cabeça do boi.
15- O Sesc Arsenal fecha muito cedo.
16- Para algumas pessoas a história de Cuiabá se divide em antes e depois da chegada do McDonald's.
17- Shopping 3 Américas era uma galeria, cresceu e agora todo mês é interditado.
18- Exposição agropecuária é mais importante que o Rock in Rio
19- ITA Center Park mata mais que a guerra no Iraque
20- Frutos da Terra é o melhor picolé do mundo
21- Se for ao Parque Cuiabá faça uma revisão no carro, encha o tanque e boa viagem.
22- Pacu, pirarucu e baiacu não tem nada a ver com Cuscus.
23- Pelo amor de Deus, jacaré na rua é coisa de paulista desinformado.
24- Escaldado de madrugada é a melhor maneira de curar ressaca.
25- No final do arco-íris existe uma vaga na praça popular.
26- O posto Gil é uma lenda
27- Se chover fique em casa
28- O nosso bairro Leblon deve ter mais concentração de drogas que o Rio de Janeiro inteiro.
29- A Ponte Nova é velha.
30- A invenção do ar condicionado é tão importante quanto a invenção da escrita.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Projeto que oficializou o Dia do Jornalista foi aprovado no Senado
Fernando Ferro justificou que a data é importante, principalmente pelo momento delicado por que passa a categoria. "Nos últimos tempos os jornalistas têm sofrido muitos golpes no que diz respeito a aspectos da regulamentação da profissão. O mais grave refere-se à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que extingue a exigência legal de formação superior e de diploma como condição para o exercício da profissão, o que permite que até mesmo um analfabeto obtenha registro de jornalista", criticou o líder.
O líder avaliou ainda que a escolha da data atende ao desejo de grande parte dos jornalistas brasileiros pois, nessa mesma data, comemora-se o aniversário de fundação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). "A ABI, com mais de um século de atuação em favor, não só das liberdades de imprensa, de opinião e expressão, mas de todas as demais liberdades democráticas, só reforça a importância do projeto para contemplar os jornalistas".
Memória - O STF, no dia 17 de junho de 2009, derrubou a exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista, conquistada pela categoria há 40 anos.
Benildes Rodrigues
quarta-feira, 31 de março de 2010
Estamos com fome de amor
O que temos visto por ai ???
Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes.
Com suas danças e poses em closes ginecológicos, cada vez mais siliconadas, corpos esculpidos por cirurgias plasticas, como se fossem ao supermercado e pedissem o corte como se quer... mas???
Chegam sozinhas e saem sozinhas...
Empresários, advogados, engenheiros, analistas, e outros mais que estudaram, estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos...
Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dancer", incrível.
E não é só sexo não!
Se fosse, era resolvido fácil, alguém dúvida?
Sexo se encontra nos classificados, nas esquinas, em qualquer lugar, mas apenas sexo!
Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho, sem necessariamente, ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico na cama ... sexo de academia . . .
Fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormir abraçadinhos,
sem se preocuparem com as posições cabalisticas...
Sabe essas coisas simples, que perdemos nessa marcha de uma evolução cega.
Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção...
Tornamo-nos máquinas, e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós...
Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada nos sites de relacionamentos "ORKUT", "PAR-PERFEITO" e tantos outros, veja o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra viver sozinho!"
Unindo milhares, ou melhor, milhões de solitários, em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis, se olharmos as fotos de antigamente, pode ter certeza de que não são as mesmas pessoas, mulheres lindas se plastificando, se mutilando em nome da tal "beleza"...
Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento, e percebemos a cada dia mulheres e homens com cara de bonecas, sem rugas, sorriso preso e cada vez mais sozinhos...
Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário...
Pra chegar a escrever essas bobagens?? (mais que verdadeiras) é preciso ter a coragem de encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa...
Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia isso é julgado como feio, démodê, brega, familias preconceituosas...
Alô gente!!! Felicidade, amor, todas essas emoções fazem-nos parecer ridículos, abobalhados...
Mas e daí? Seja ridículo, mas seja feliz e não seja frustrado...
"Pague mico", saia gritando e falando o que sente, demonstre amor...
Você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais...
Perceba aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, ou talvez a pessoa que nada tem haver com o que imaginou mas que pode ser a mulher da sua vida...
E, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso a dois...
Quem disse que ser adulto é ser ranzinza ?
Um ditado tibetano diz: "Se um problema é grande demais, não pense nele... E, se ele é pequeno demais, pra quê pensar nele?"
Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo, assistir desenho animado, rir de bobagens e ou ser um profissional de sucesso, que adora rir de si mesmo por ser estabanado...
O que realmente, não dá é para continuarmos achando que viver é out... ou in...
Que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo, que temos que querer a nossa mulher 24 horas, maquiada, e que ela tenha que ter o corpo das frutas tão em moda, na TV, e também na playboy e nos banheiros, eu duvido que nós homens queiramos uma mulher assim para viver ao nosso lado, para ser a mãe dos nossos filhos, gostamos sim de olhar, e imaginar a gostosa, mas é só isso, as mulheres inteligentes entendem e compreendem isso.
Queira do seu lado a mulher inteligente: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois, ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo, tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida"...
Porque ter medo de dizer isso, porque ter medo de dizer: "amo você", "fica comigo", então não se importe com a opinião dos outros, seja feliz!
terça-feira, 23 de março de 2010
BBB 10: O FIM DA PICADA...
Dizem que Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB 10 é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos na mesma casa, a casa dos heróis, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB 10 é a realidade em busca do IBOPE: é putaria ao vivo!!!
Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB 10. Ele prometeu um zoológico humano divertido . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.
Se entendi corretamente as apresentações, são 15 os animais do zoológico: o judeu tarado, o gay afeminado, a dentista gostosa, o negro com suingue, a nerd tímida, a gostosa com bundão, a não sou piranha mas não sou santa, o modelo Mr. Maringá, a nordestina sorridente, a lésbica convicta, a DJ intelectual, o carioca marrento, o maquiador drag-queen e a PM que gosta de apanhar (essa é para acabar!!!).
Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados. .
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o escolhido receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$$$$$$$ $$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?
(Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores )
Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um artigo de Jabor, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.
Faça sua parte !!!
quinta-feira, 18 de março de 2010
Big Brother Brasil
BIG BROTHER BRASIL
Autor: Antonio Barreto,
Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.
Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.
Há muito tempo nãovejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.
Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.
Em frente à televisão
Lá está toda a família
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.
Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.
O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.
Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.
Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.
Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Dar muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.
Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social
Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.
Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.
A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.
Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.
Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.
Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.
É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.
Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.
A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.
E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.
E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.
E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados
Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.
A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.
Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.
Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?
Barreto termina assim
Alertando ao Bial:
Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal…
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga,
animal…
FIM
Salvador, 16 de janeiro de 2010.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Carta-resposta de Ruy Coppola, juiz do 2º Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo, São Paulo, ao Presidente Lula, publicada no jornal Estadão.
Fiquei abismado, caro presidente, não com a falta de conhecimento de V.Exa., já que coisa diversa não poderia esperar (só pelo fato de que o nobre presidente é leigo), mas com o fato de que o nobre presidente ainda não se tenha dado conta de que não é mais candidato.
Não precisa mais falar como se em palanque estivesse; não precisa mais fazer cara de inconformado, alterando o tom da voz para influir no ânimo da platéia. Afinal, não é sempre que se faz discurso na porta da Volks.
Não precisa mais chorar. O eminente presidente precisa apenas mandar, o que não fez até agora. Não existem duas Justiças, como V. Exa. falou. Existe uma só. Que é cega, mas não é surda e costuma escutar as besteiras que muitos falam sobre ela. Basta ao presidente mandar seu amigo Tarso tomar medidas concretas e efetivas contra o crime organizado.
Mandar seus demais ministros exercer os cargos para os quais foram nomeados. Mandar seus líderes partidários fazer menos conchavos e começar a legislar em favor da sociedade. Afinal, V. Exa. foi eleito para isso. Sr. presidente, no mesmo canal de televisão, assisti a uma reportagem dando conta de que,em Pernambuco (sua terra natal), crianças que haviam abandonado o lixão, por receberem R$ 25,00 do Bolsa-Escola , tinham voltado para aquela vida (??) insólita simplesmente porque desde janeiro seu governo não repassou o dinheiro destinado ao Bolsa-Escola ..
Como se pode ver, Sr. presidente, vou tentar lembrá-lo de algumas coisas simples. Nós, do Poder Judiciário, não temos caixa-preta. Temos leis inconsistentes e brandas (que seu amigo Tarso sempre utilizou para inocentar pessoas acusadas de crimes do colarinho-branco) .
Temos de conviver com a Fazenda Pública (e o Sr. presidente é responsável por ela, caso não saiba), sendo nossa maior cliente e litigante, na maioria dos casos, de má-fé. Temos os precatórios que não são pagos. Temos acidentados que não recebem benefícios em dia (o INSS é de sua responsabilidade, Sr. presidente). Não temos medo algum de qualquer controle externo, Sr. presidente.
Temos medo, sim, de que pessoas menos avisadas, como V. Exa. mostrou ser, confundam controle externo com atividade jurisdicional (pergunte ao seu amigo Tarso, ele explica o que é). De qualquer forma, não é bom falar de corda em casa de enforcado.
Evidente que V. Exa. usou da expressão 'caixa-preta' não no sentido pejorativo do termo. Juízes não tomam vinho de R$ 4 mil a garrafa. Juízes não são agradados com vinhos portugueses raros quando vão a restaurantes. Juízes, quando fazem churrasco, não mandam vir churrasqueiro de outro Estado.
Mulheres de juízes não possuem condições financeiras para importar cabeleireiros de outras unidades da Federação, apenas para fazer uma 'escova'. Cachorros de juízes não andam de carro oficial. Caixa-preta por caixa-preta (no sentido meramente figurativo), sr. presidente, a do Poder Executivo é bem maior do que a nossa.
Meus respeitos a V. Exa. e recomendações ao seu amigo Márcio.
P.S.: Dê lembranças a 'Michelle'.
(Michelle é cachorrinha do presidente que passeia em carro oficial)
Ruy Coppola, juiz do 2.º Tribunal de Alçada Civil do Estado de São Paulo, São Paulo
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Os direitos das vítimas, a odisséia das vítimas
Todos nós, de uma forma ou de outra, passamos por constrangimentos em várias circunstâncias da vida. A condição de vítima de furtos e assaltos é bem corriqueira. A vítima de um crime passa por humilhação e tanto estresse que perde a noção da realidade. Fica em estado de choque! Afinal foi ultrajada em sua integridade física e moral e normalmente ficam relegadas ao sofrimento, sem nenhum apoio institucional, e sofre danos psíquicos, físicos e sociais, sem encontrar formas de amenizar sua dor.
Você certamente passou por essa situação e vai concordar que pior que isso é o constrangimento para conseguir registrar o boletim de ocorrência. A delegacia virtual é literalmente virtual! Não funciona! Enfrentamos várias ineficiências. O sistema não funciona, não tem papel, não tem gasolina para viatura, não tem delegado presente, o escrivão foi almoçar, e o agente está ocupado fumando o seu cigarrinho.
O pouco caso dos policiais na atenção dispensada às vítimas é desanimador. O moral abalado cai de uma vez. A sensação de impotência e a revolta tomam proporção que podem afetar o equilíbrio de qualquer um. A vítima tem direito de passar por humilhações várias vezes e não reclamar. Afinal ela tem o sagrado direito de chorar e pedir à Deus que acalme seus ânimos para que também não se torne uma criminosa.
A evolução do reconhecimento e proteção dos direitos humanos é um fato que deve ser cada vez mais aprimorado. Porém, é inadmissível imaginar que essa proteção é direcionada especialmente para quem não respeitou o limite dos seus atos e tirou, sem motivação, os direitos mais importantes de alguém: a vida, o equilíbrio emocional, o direito de ir e vir, o patrimônio lícito.
Aos criminosos é assegurado direito ao auxílio reclusão, médico, dentista, psicólogo, boa comida, etc. além de entidades em sua defesa. Vários países adotam critérios de proteção às vítimas. No Brasil, ainda está incipiente essa discussão pela classe política. Existe um pequeno avanço apenas em relação à proteção das testemunhas, resultando uma situação desumana para as vítimas.
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
Nem Pink Floyd explica

Hugo Fernandes
“Não precisamos de nenhuma educação. Não precisamos de nenhum controle de pensamento”. Os dizeres eram entoados, no fim da década de 70, por uma das maiores bandas de rock de todos os tempos, o Pink Floyd. A clássica canção “Another Brick In The Wall” (Um Outro Tijolo no Muro, em português), põe em discussão um dos alicerces da nossa sociedade, a educação.
A música faz uma critica ferrenha a escola e a sociedade inglesa daquela década. Para os músicos britânicos do Pink Floyd, os colégios não passavam de um instrumento de formação profissional e intelectual dos cidadãos, fazendo com que as crianças, desde cedo, perdessem sua identidade própria e passassem a pensar como sociedade.
Cerca de 30 anos após a composição deste clássico musical, o estudo é indispensável e a diplomação virou sinônimo de melhores condições de vida. No contexto atual, quem não estuda está à margem da sociedade. E para ser inserido no mercado de trabalho é imprescindível ter qualificação profissional. Mas, se você ainda segue os ideais Pink Floydianos, uma ótima oportunidade chegou à tona.
No mês de junho, o Supremo Tribunal Federal (STF) deu provimento a um recurso extraordinário, interposto pelo Sindicato das Empresas de Rádio e Televisão de São Paulo, invalidando a obrigatoriedade da exigência de diploma para exercício da profissão. Ou seja, você agora pode ser jornalista. Qualquer um que não sabe bem o que quer da vida, poderá se aventurar nas páginas dos jornais.
Os ministros do STF não perceberam que a exigência do diploma não limita o direito de expressão de nenhum cidadão, mas sim assegura dentro dos princípios constitucionais a liberdade de profissão, garantindo seu livre exercício “desde que atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer” (CF, art. 5º, inciso XIII).
A obrigatoriedade do diploma funciona como um filtro. Possibilita uma espécie de triagem que visa a construção de um jornalismo ético, comprometido com a verdade e mais responsável na divulgação dos fatos. Se o arquiteto para exercer a sua profissão precisa ter cursado a faculdade de arquitetura, o médico a de medicina, o advogado a de direito, por que querem que só o jornalismo seja exercido sem que o seu profissional tenha a formação superior? Por que o interesse em que o trabalho do jornalista seja exercido por qualquer um?
Fomos comparados a cozinheiros por aqueles briosos, que também podem matar uma pessoa preparando uma comida indigesta. Porém, o que não caiu bem no estomago dos profissionais da imprensa foi a decisão do STF. Indigesto mesmo é aceitar uma categoria se tornar um amontoado de gente. Nem Pink Floyd explica.
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Apoio de Ciro a Aécio é "dança pré-eleitoral", diz Berzoini

Marcela Rocha
O deputado Ciro Gomes (PSB-CE) almoçou com o governador mineiro Aécio Neves (PSDB). Ambos pleiteiam candidatura à presidência da República. Mas, antes do almoço, o cearense disse que recuaria caso o mineiro fosse o escolhido do tucanato para concorrer ao Planalto. O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), minimiza a atitude de Ciro e acredita que isto não passa de "dança pré-eleitoral".
- Assim como tem a dança pré-nupcial entre os animais, tem uma dança pré-eleitoral na política. Muitas vezes, parece ser uma coisa, mas é outra. Nossa conversa com o PSB é muito madura. Eu, pessoalmente, não acredito que haja pretensões as quais devamos atribuir maior relevância.
Antes de almoçarem no Palácio das Mangabeiras, nesta terça-feira, 17, eles participaram de uma agenda pública juntos, durante o lançamento do Portal "O Brasil tem Jeito".
O petista retoma a "ótima relação" que seu partido mantém com Ciro. "As declarações, nesse momento, significam, muitas vezes, apenas gestos, demonstração de cortesia", minimiza. "Ciro sempre se declarou um adversário do projeto neoliberal", diz em referência a uma possível colaboração de Ciro ao PSDB.
- Isso faz parte de uma movimentação pré-eleitoral que pode ter outros objetivos subjacentes que nós não temos condição de avaliar neste momento. Esse tipo de encontro, para mim, não tem relevância nenhuma - conclui.
A pedido do presidente Lula, Ciro transferiu recentemente seu domicílio eleitoral para São Paulo. Com isto, o deputado pode ser candidato tanto ao governo paulista, desejo petista, quanto candidato à presidência, proposta mantida por ele e seu partido até então.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
Cobras do Verissimo

Luis Fernando Verissimo desenhou As Cobras durante quase trinta anos, para vários jornais. Em 1997, ao completar 60 anos, o escritor concluiu que "não ficava bem um sexagenário desenhando cobrinhas" e as aposentou. Em 2006, criou para o lançamento de Terra Magazine uma série de tiras inéditas (que podem ser vistas no link abaixo), e permitiu, generosamente, que fossem garimpadas de seu acervo pessoal, algumas Cobras clássicas, que Terra Magazine reedita a cada segunda-feira.
A seleção é difícil pela quantidade e deliciosa pela qualidade. Ressurgem assim personagens antológicos como Dudu o Alarmista, Queromeu o Corrupião Corrupto, as lesmas Flecha e Shirley, e séries como as Cobras "no Espaço", "na Praia" e "frente ao infinito".
São personagens criados no início dos anos 70, quando Veríssimo escrevia diariamente para o jornal Folha da Manhã, de Porto Alegre. A idéia era "um desenho rápido, que não desse muito trabalho e substituísse o texto da minha coluna, nas edições de sábado", explica o autor. "Por que cobras? Porque cobras é fácil de desenhar. Cobra é só pescoço e não tem mão."
Além das Cobras, o escritor também se aventurava pelo cartum, que sempre considerou "a forma mais concisa, e mais difícil, de humor". Em seu primeiro livro, O Popular (Editora José Olympio), de 1974, as crônicas eram entremeadas com cartuns e quadrinhos.
Três anos mais tarde, já cult na imprensa gaúcha, As Cobras apareceram pela primeira vez em livro junto com outros desenhos (As Cobras e outros Bichos, L&PM, 1977). Na introdução ao livro, Verissimo afirma que já desenhava antes de escrever, mas faz uma avaliação bem-humorada de seus dotes artísticos:
"Tenho um problema curioso para um desenhista. Não sei desenhar. Isto não me impede de insistir com o desenho, apesar dos conselhos de amigos, das indiretas da família e de telefonemas ameaçadores. Insisto, em primeiro lugar, por conveniência. Não digo que uma imagem valha mil palavras, mas umas 500 - o necessário para encher uma coluna de jornal - vale. Qualquer cronista diário daria a sua mão direita para poder desenhar em vez de escrever, de vez em quando, se fosse canhoto."
Exagerado na auto-crítica, claro. As tiras das Cobras têm a concisão dos melhores humoristas e a linguagem certeira de um dos textos mais admirados do país.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Chefão das Drogas, El Chapo bate Sarkozy e Medvedev na lista dos mais poderosos da Forbes
El ChapoOntem, autoridades européias e especialistas no fenômeno das drogas trocaram “figurinhas” sobre a sangrenta e fracassada “war on drugs” (guerra às drogas) no México.
Na mesa de reuniões estava o exemplar da revista Forbes, que acaba de colocar Joaquín Guzmán, vulgo El Chapo, na relação das personalidades mais influentes do mundo. Ele aparece na frente do presidente francês Sarkozy, para se ter idéia da sua força de influência.
Como este blog Sem Fronteiras de Terra Magazine informou no dia 11 de outubro passado (confira post abaixo: Os Narcos de Cristo), Joaquín Guzmán, chefe do cartel mexicano de Sinaloa, é tido, para os 007 da CIA e da DEA, como o narcotraficante mais rico do planeta.
Para a revista Forbes, que desde 1917 trata de negócios, finanças e economia, El Chapo tem mais de US$ 1 bilhão em caixa. E o seu poder, como já informado por este blog, aumentou em razão da recente aliança com o cartel conhecido por “La Família Michoacán”, ou seja, com os “Narcos de Cristo”.
Joaquín Guzmán, em Chapo, ocupa o 41º. na relação da revista Forbes.
Além de Sarkozy, El Chapo está na frente do atual presidente da Rússia, Dmitri Medvedev.
No topo da lista, como celebridade mais influente, –e aí pelos dotes políticos e não financeiros–, está o presidente Barack Obama.
El Chapo, num esforço hercúleo da norte-ameriana DEA (agência de inteligência antidrogas) e de policiais honestos mexicanos, foi preso em 1993, com acusações de mandante de homicídios e narcotráfico internacional.
Apesar da vigilância dada como especial e em presídio rotulado de segurança, El Chapo fugiu em 2001.
Para o presidente mexicano, Felipe Calderon, o chefe do cartel de Sinaloa está escondido nas montanhas do norte do país.
Especialistas contestam a afirmação de Calderon, pois um chefão do porte de El Chapo nunca está distante da sua fortuna, “dos seus tesouros”, para usar um jargão da polícia mexicana.
PANO RÁPIDO. No elenco da revista Forbes aparecem 67 nomes e o diretor da sua redação explica: “ O que conta não é tanto a popularidade, o cargo oficial ocupado, mas o grau de influência”.
Só para registrar: os supremos ministros Gilmar Mendes e Marco Aurélio de Mello, que no julgamento do caso Battisti revelaram o tamanho dos seus “egos”, e a esquecer o ensinamento de Camões de “elogio em boca-própria representar vitupério”, não estão listados pela Forbes, para minha surpresa.
terça-feira, 10 de novembro de 2009
Na homenagem a José Alencar, estilos opostos de Lula e Serra

Ricardo Kotscho
Foi mais ou menos como se uma orquestra sinfônica e uma escola de samba se apresentassem na mesma noite, no mesmo palco, para a mesma platéia. Deu-me esta impressão ao ouvir os discursos do presidente Lula e do governador Serra durante a homenagem prestada pela Fiesp, na noite desta segunda-feira, ao vice-presidente José Alencar, concedendo-lhe o título de presidente emérito da entidade.
Formal, respeitoso e correto, Serra, que falou primeiro _ logo após a homenagem feita a José Alencar pelo presidente da Fiesp, Paulo Skaf, e da exibição de um belo filme sobre a sua vida _, arriscou raros improvisos em seu breve discurso, destacando o caráter empreendedor de José Alencar e suas ligações com São Paulo. Lembrou dos poucos encontros que os dois tiveram ao longo da carreira e do fato de que a cidade onde o homenageado nasceu chamava-se no começo São Paulo de Muriaé. O santo ainda é o padroeiro da cidade.
Ao final, recebeu os aplausos protocolares de quem acabou de ouvir uma afinada orquestra alemã. O contraste com Lula ficou claro logo nas primeiras palavras do presidente, na hora de ler a chamada nominata, lista de autoridades presentes que os oradores recebem da assessoria. Ao contrário de Serra, improvisou uma saudação a alguns dos presentes e fez a primeira das muitas brincadeiras da noite, contrapondo-se ao governador, que leu a lista completa:
“Como não sou mais candidato, nem preciso cumprimentar muita gente…”
A platéia riu, mas Serra não achou muita graça, e assim permaneceu, impassível, durante o resto da fala toda improvisada de Lula, que arrancou lágrimas, risos e aplausos em cena aberta, várias vezes, num dos discursos mais inspirados e emotivos da sua já longa carreira de palanqueiro.
Ao final, foi longamente aplaudido de pé pela platéia de empresários e políticos, como se fosse um Noca da Portela saindo do Sambódromo, enquanto dava um interminável e apertado abraço em José Alencar, que chamou de sua “cara-metade” na política.
Desde a hora em que chegou, com o habitual atraso, ao 14º andar da Fiesp, onde as autoridades se encontraram na sala da diretoria da entidade, antes de descerem juntas para o auditório no subsolo, Lula parecia mesmo inspirado naquela noite. Falando mais do que de costume, estava de muito bom humor depois de ter passado o dia todo em São Paulo.
Na rodinha dos que aguardavam a chegada do presidente junto ao vice José Alencar e sua mulher, dona Mariza, o prefeito são-paulino Gilberto Kassab tirava uma onda com o governador palmeirense José Serra, que estava inconformado com o gol anulado de Obina, na derrota contra o Fluminense, em que seu time perdeu a liderança do campeonato no domingo.
O assunto quente da hora era a decisão da CBF de tirar o juiz Carlos Eugênio Simon do restante do Campeonato Brasileiro, reconhecendo que ele errou feio. “Então tem que cancelar a partida!”, protestou Serra, diante de um feliz Kassab, que só ria e balançava a cabeça como quem diz: ninguém mais tira este título do nosso São Paulo. O governador me contou que, para seu desgosto, tem um neto são-paulino, que estuda na mesma classe da minha neta, que é palmeirense.
Para se vingar da minha alegria de são-paulino, Serra não perdeu a chance de tirar uma casquinha: “Nossa, como você está ficando gordo!” Acho que é de tanto comemorar títulos, pensei comigo… Mas, desse jeito, ele não vai conquistar o voto dos gordos…
Feliz da vida estava Josué, o único filho homem de José Alencar, que assumiu o comando do império da Coteminas quando o pai resolveu entrar na política, no final dos anos 1990, para pouco tempo depois se tornar o companheiro de chapa de Lula, em 2002, mas ele não se empolgou nem um pouco com a idéia do pai de se candidatar de novo no ano que vem.
Contei-lhe como foi a conversa de Alencar com Lula no aniversário do presidente, sábado retrasado, na Granja do Torto, em que seu pai revelou os planos de se candidatar a senador por Minas. Josué parecia não acreditar muito nesta história. Preferiu falar da fantástica recuperação de Alencar, desde a última vez em que nos encontramos no Hospital Sírio-Libanês. “Você viu? Nem os médicos acreditavam nisso…”.
Quando Lula chegou, logo as autoridades continuariam a conversa a portas fechadas na sala de Skaf. Desci para o auditório, mas foi difícil chegar lá e conseguir um lugar na platéia apinhada de excelências vindas de todas as latitudes, muita gente em pé. Depois de tudo o que Alencar passou em suas 15 cirurgias, só o fato de encontrá-lo novamente firme e forte, sorrindo o tempo todo, justificava o clima de alto astral que contagiou toda a cerimonia.
Sem pressa, Lula e Alencar ainda foram ver as fotos do homenageado no saguão da Fiesp e, para cada uma, claro, o vice tinha uma história para contar, parando naquela que o mostrava fazendo pose como jogador do Nacional, o time da sua cidade.
Último a falar, por iniciativa do presidente Lula que, pelo protocolo, sempre deve encerrar as cerimonias em que está presente, José Alencar passou quase meia hora lendo a nominata inteira (quem foi esse assessor?) para não esquecer de nenhum dos presentes, e eram mais de 500.
Começou lendo um discurso, prometeu ser breve, mas lá pela metade fez como Lula e passou a falar de improviso, também alternando momentos engraçados com outros mais dramáticos da sua vida. Fez uma veemente defesa da liberdade de mercado, mas com responsabilidade social e igualdade de oportunidades, e não deixou barato, repetindo seu refrão na hora de falar do bom momento da economia brasileira: “Não é graças aos juros altos, não. É apesar deles…”.
Tanto Lula como Alencar devem ter repetido um milhão de vezes como se conheceram, depois de já veteranos em suas respectivas carreiras, na festa de 50 anos de vida empresarial do vice, em Belo Horizonte, no final de 2001, mas até hoje os dois se emocionam ao contar como foi.
“Encontrei meu vice naquela noite”, disse Lula, lamentando que isso não tivesse acontecido antes. “Foi uma dádiva de Deus ter te encontrado. Quem sabe se a gente tivesse se encontrado antes, eu não teria perdido tantas eleições…”.
Como se tivessem combinado, Alencar também gastou boa parte do seu discurso contando como surgiu a parceria política dos dois, que logo se transformaria numa grande amizade. Lula atribuiu a Alencar metade da responsabilidade pelos êxitos do governo. Com sua habitual humildade, Alencar deixou por menos:
“Ninguém vota no vice-presidente. Vota no titular. Eu não procurei atrapalhar nas campanhas e acho que não atrapalhei porque ganhamos duas vezes…”
Para mostrar que estavam bem de saúde e com pique, Lula garantiu, de brincadeira, que os dois tinham fôlego para mais cinco anos de governo, mas logo acrescentou que não era o caso, chegou a vez de outros candidatos. Além de Serra, estavam presentes à homenagem os prováveis presidenciáveis Dilma Roussef e Ciro Gomes. O governador Aécio foi anunciado na nominata de Alencar, mas eu não o vi por lá.
Aconteça o que acontecer, ganhe quem ganhar em 2010, a verdade é que um estilo de fazer política e uma dobradinha improvável como a do metalúrgico Lula com o grande empresário Zé Alencar estão fechando um ciclo que, muito provavelmente, não irá se repetir tão cedo.
O estilo de Dilma, Aécio e Ciro, pelo menos até aqui, com seus discursos recheados de números e de razão, está mais para o de Serra do que para Lula. E ainda não surgiu um novo Alencar no horizonte da cena eleitoral de 2010, a primeira sem Lula candidato desde a redemocratização do país.
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
A boa cautela de Lula
Se não nos convidaram para o banquete, soa um pouco excessivo que nos intimem a participar de igual para igual na hora de rachar a dolorosa.
É bom que o presidente da República esteja cauteloso nas discussões sobre o papel do Brasil na Conferência do Clima. E é curioso que os críticos do "protagonismo a qualquer custo" sejam agora os primeiros a exigir de Luiz Inácio Lula da Silva que coloque o Brasil na linha de frente das medidas contra o aquecimento global. É a dança da política.
O debate está claro desde o começo. Se o aquecimento global é mesmo um problema grave, e se deve ser enfrentado globalmente, é preciso saber para quem irá a conta. O lógico será repassá-la aos que, até o momento, mais se beneficiaram do progresso humano. Se é mesmo verdade que o mundo não suportaria a globalização dos padrões europeu e americano de consumo, que os americanos e europeus se contenham, para começo de conversa.
Qual é o problema? É que países como a China e o Brasil estão pelo meio do caminho. Não podem ser considerados tecnicamente "subdesenvolvidos", mas ainda têm milhões de pobres para colocar no mercado, alimentar, vestir, educar, divertir. O Brasil não é a Noruega, ou a Suécia, onde tudo está mais ou menos resolvido. Temos um país a construir. Então, ou bem encontra-se um jeito ambientalmente correto de fazê-lo, ou paciência.
Se não nos convidaram para o banquete, soa um pouco excessivo que nos intimem a participar de igual para igual na hora de rachar a dolorosa. Também porque as bolas estão invertidas. Pedem-nos o sacrifício à vista, com a promessa de benefícios a longo prazo. Exigem que renunciemos à expansão da fronteira agrícola, sem a garantia de que o aumento de produtividade será capaz de atender à demanda explosiva por comida numa sociedade em que, finalmente, os pobres começaram a comer direito.
Isso significa que nada temos a ver com o desafio? Ou que não podemos contribuir para resolvê-lo? Negativo. Apenas é preciso cautela. Daí a razoabilidade da posição de Lula e da candidata dele à Presidência, Dilma Rousseff.
Até porque -e infelizmente- as opções a nós propostas são no mínimo nebulosas. A primeira é exatamente congelar a expansão da área plantada, com a premissa de aproveitar melhor a área já desmatada. É um debate bonito de se fazer no carpete e no ar-condicionado, mas enfrenta problemas na vida real. E olhem que Lula deu sorte, ao ver fracassar seu projeto delirante de transformar o etanol em combustível planetário. Tivesse dado certo, a soja e os bois estariam em marcha batida rumo ao norte, e Lula não poderia passar nem na porta do encontro de Copenhague.
Os créditos de carbono, outro ponto da pauta, não parecem ser capazes de dar conta do desafio. É uma conta que não fecha. Europeus e americanos pagam para que preservemos as nossas florestas. Ótimo. Mas ninguém come dinheiro, ou se veste com dinheiro, ou mora em casas de dinheiro. O dinheiro serve para comprar coisas. Que precisam ser produzidas. E que portanto implicam custo ambiental. Com dinheiro na mão, o pobre vai querer consumir. E alguém vai ter que produzir.
É um debate simples? Não. Temos as nossas próprias responsabilidades no assunto? Temos. Mas não implica que precisemos estar na linha de frente a qualquer custo. Os compromissos que vamos assumir precisam estar subordinados, em primeiro lugar, ao nosso projeto de desenvolvimento.
Nosso desafio não é crescer menos, é crescer mais. Os que nos pedem atitudes heroicas no combate ao aquecimento global precisam dizer, também, como fazer isso crescendo aceleradamente e combatendo mais aceleradamente ainda a pobreza. Na prática, não na teoria.
Estranhamento
As declarações pejorativas e mal-educadas de Caetano Veloso sobre Lula deram ao presidente a oportunidade de sacar seu roteiro favorito: o de vítima de preconceito.
Improvável que cole. O modelito agressivo, depreciativo e autossuficiente -que alguns podem ler como arrogante- adotado por sua excelência desde que abandonou o "Lulinha paz e amor" não combina com o papel de vítima, que tantos dividendos políticos já lhe rendeu.
Esse mix de coitadismo e soberba pode, no máximo, gerar algum estranhamento.
No teatro da política, Lula precisa escolher sua máscara na peça. Não dá para querer todas. Ainda que hoje em dia o presidente demonstre alguma dificuldade para entender que o poder dele tem limites.
Demagogia
O discurso da oposição "em defesa dos aposentados" não fica de pé. Por acaso algum dos presidenciáveis tucanos, se eleito, vincularia o reajuste dos benefícios da Previdência à variação do salário mínimo? Óbvio que não.
É apenas um caso agudo de demagogia.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Uma Mostra ao estilo Ronaldo
Se não contarmos a repescagem, a Mostra de São Paulo terminou nesta quinta-feira, o que significa que chegou a hora do balanço. O meu dificilmente poderia ser mais positivo. Vi mais bons filmes nessas duas últimas semanas do que em todo o resto do ano.
Para mim, foi uma Mostra ao estilo de Ronaldo em sua atual fase: só indo na boa, sem muita correria, sem desperdício de energia, mas com alta porcentagem de aproveitamento. Dos muitos chutes que dei, a maioria balançou a rede; alguns foram golaços, pouquíssimos erraram o alvo.
De canelada mesmo, só um: “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus”, filme de despedida de Heath Ledger, que não ficou à altura do talento do ator. No campo do não cheira e nem fede, “Distante Nós Vamos”, tentativa de Sam Mendes (“Beleza Americana”) parecer indie, e o superestimado “À Procura de Eric”, uma Sessão da Tarde à moda socialista de Ken Loach.
Daí em diante, minha lista só tem filmes que vão do bom à obra-prima. Nesta última categoria, estão “Vencer”, épico político que comprova que o italiano Marco Bellochio virou mestre, e “35 Doses de Rum”, em que a francesa Claire Denis mostra que se tornou uma das diretoras essenciais da atualidade.
Dos cineastas consagrados, vieram o delicioso “Singularidades de uma Rapariga Loira”, em que o centenário Manoel de Oliveira revela ainda ter fôlego de garoto, e “Abraços Partidos”, obra menor de Almodóvar, mas ainda assim muito acima da média.
A Mostra nos brindou ainda com os dois melhores filmes até aqui de cineastas que decidiram se arriscar fora de sua zona de conforto: “O Fantástico Sr. Raposo”, belo passeio do americano Wes Anderson pelo mundo da animação, e “Soul Kitchen”, incursão do alemão Fatih Akin pela comédia.
De novos cineastas, duas boas surpresas: “Dente Canino”, fábula de humor nonsense do grego Yorgos Lanthimos, e “Os Famosos e Duendes da Morte”, estreia muito promissora em longas do brasileiro Esmir Filho, diretor do curta “Tapa na Pantera”.
No final das contas, esta edição da Mostra me ajudou a recuperar um tanto da minha fé no cinema, que andava abalada por um ano muito fraco do circuito comercial.
quarta-feira, 4 de novembro de 2009
Grêmio x São Paulo é a “decisão” da hora! E os ventos uivantes do Minuano vão soprar para o Morumbi?

E como a gente lê, vê e ouve que tal jogo é “decisivo” e que tal rodada vai apontar o campeão “com certeza”, não é verdade?
Eu também já pitonizei essas “decisões” nos últimos 15 dias, como quase todo mundo da imprensa.
Apesar que estou apostando mesmo é no Galo, justamente no candidato que tem os jogos mais difíceis nessa reta de chegada.
Tanto que o Atlético Mineiro, o Galo mais Lindo do Mundo, tem sua próxima “decisão” domingo diante do Flamengo e perante 150 milhões de atleticanos no poleiro mais nobre do planeta.
Assim, Bruno, o “Adiantador do Brasil”, não poderá “rogerioceniar” desta feita, tantos serão os “fiscais”.
Como desta feita Aragão, Wright e Márcio Resende de Freitas “não estarão em campo”, por impossível.
Mas antes da “decisão” do Mineirão e da “decisão” de Flu e Verdão no Maracanã, teremos amanhã a “decisão” de Porto Alegre com o desmotivado Grêmio pegando o copeiro São Paulo.
E não é que o alagoano Souza, ex-falastrão do Morumbi, anda querendo “baruerizar”?
Mas a verdade é que o São Paulo está dando grande sorte ao pegar um Grêmio contundido, caído e cumpridor de tabela.
Normalmente teríamos amanhã um Olímpico lotadinho com 50 ou 60 mil gremistas colorindo de azul a chamada “La Bombonera do Sul”.
Pois não é que acredito só em 10 mil, mais uns dois mil tricolores paulistas, além da vitória do São Paulo?
Sabem por quê?
Pois quem perde Gre-Nal, o clássico de maior rivalidade do Brasil, precisa sempre de uns 30 dias pra se recompor psicologicamente.
Assim, dá São Paulo, para a tristeza de Galo, Periquito e Urubu.
Ah, e é jogo “decisivo”! (rs)
quinta-feira, 29 de outubro de 2009
É pior a "mala branca" ou acabar com os pontos corridos?

Esse negócio de mala preta é a coisa mais velha do esporte mundial.
O Mauro Beting costuma dizer que até em corridas de biga, lá pelos anos 12 a. C, havia mala preta.
Mas ninguém nunca prova, nunca provou e nunca provará.
Aliás, o Salomão Ésper e o Muibo César Cury transmitiam muita corrida de biga já nessa época, sabia?
Ontem, antes do jogo do Barueri contra o Flamengo, apareceu essa conversa.
O Val Baiano foi categórico e disse que o Cruzeiro prometeu pagar uma graninha em caso de vitória dos paulistas, o que ocorreu.
“O Cruzeiro nos deu essa gratificação, mas independentemente desse dinheiro do Cruzeiro, a gente entra para vencer”, disse o atacante.
Agora, obviamente, todo mundo nega e diz que não passou de boato.
Mas as declarações ficaram.
E essa do goleiro René?
“Nós recebemos uma ligação hoje. Isso é legal, cara. A famosa “mala branca”, né? Mas estamos esperando, o fim de ano está aí e queremos engordar nossa conta. Tivemos uma conquista, é boa para nós, estou muito feliz”.
Hoje, o supervisor de futebol do Cruzeiro, Benecy Queiroz, chamou Val Baiano de mentiroso:
“Negamos veementemente. Não usamos esse tipo de prática. Não precisamos de terceiros para nos ajudar. Desconhecemos esse assunto, e esse jogador é um mentiroso.”
Quem está mentindo na história?
Será que vai ter mala branca do São Paulo para o mesmo Barueri?
Ora, se vale para Chico, tem que valer para Francisco, certo?
Aliás, se isso for realmente verdade, o que eu não posso atestar, de onde será que vem o dinheiro não contabilizado?
Você acredita nessa história de mala branca?
E o que é pior, oferecer dinheiro para um time X ganhar ou acabar com a fórmula de pontos corridos que está dando tão certo?
terça-feira, 27 de outubro de 2009
A hora dos alfinetes
Jobilei Gonzaga
No ano que vem estaremos novamente a portas das urnas. É o Brasil de novo. A cada conversão das siglas partidária os parlamentares se mostram cada vez mais ansiosos, eufóricos e com grandes esperanças de mudança. Onde? Os bastidores da discussão. “É hora de alfinetar”. Portões abertos e o fala-fala começa.
As declarações de alguns são até maléficas. Ainda nem começamos o jogo, mas já tem parlamentar sendo juiz. Apitam a favor. Outros por ai agindo como se fossem anjinhos de guarda da população. Defensor dos pobres e necessitados. Titulando como político sério, honesto e que tem compromisso com o povo, até que se prove ao contrário.
Os centros de conversões das siglas partidárias neste momento vivem de declarações. Às trocam até acusações entre si. São piratas e caçadores, à busca do tesouro perfeito que à maioria deles ainda não são donos de seus próprios atos. É uma “luta de foice” pelas eleições do ano que vem. Todos que fazem parte da liderança das siglas partidárias querem um fenômeno no jogo.
O que jogar melhor ganha. Para Aristóteles a Política é a ciência mais suprema, a qual as outras ciências estão subordinadas e que todas as demais se servem numa cidade. A tarefa da Política é investigar qual a melhor forma de governo e instituições capazes de garantir a felicidade coletiva.
Se a política é de fato uma ciência suprema, cabe aos parlamentares e candidatos à repensarem no que falam em respeito à população, que são os verdadeiros receptores finais de todos os projetos de leis. O povo pede política séria, com políticos sérios, e quando isso acontecer é o sinal que tiraram a “trava do próprio olho antes de querer tirar do outro”.
segunda-feira, 26 de outubro de 2009
Pavor de fiscais
O presidente Lula disse ao repórter Kennedy Alencar da “Folha de S. Paulo” que a missão da imprensa não é fiscalizar, é informar. Justificou: para fiscalizar já basta o Tribunal de Contas da União e a Corregedoria-Geral da República.
No mesmo dia em que foi publicada a inacreditável adesão à autocracia, Lula foi atacado por um novo surto da fiscalafobia e proclamou que o Brasil está travado pelo excesso de controle do mesmo TCU que pouco antes declarara suficiente para vigiar o Executivo. Desatento para a esquizofrênica contradição, o presidente de uma república que se apresenta como democrática denunciou a existência de uma poderosa máquina de fiscalização impedindo o trabalho de uma pequena máquina de execução. E foi mais longe: sugeriu a punição dos agentes da fiscalização quando ficar comprovado que suas suspeitas eram infundadas.
Em resumo: Lula não quer fiscais pt saudações - na imprensa, no TCU, na CGR, na Receita Federal e no Ministério Público. Lula só quer aplauso. Ele próprio confessou ao repórter Kennedy Alencar: “odeio intermediário com o povo. Esse negócio de gente falar por mim, eu não gosto. Por isso falo muito”.
Fala muito e, parece, pensa pouco: o chefe do Executivo tem a obrigação de saber o significado da peça básica que distingue o regime democrático de um sistema autoritário – o equilíbrio entre os poderes. Nenhum arroubo de eloquência pode servir de pretexto para ameaçar esta conquista do sistema representativo.
Se Sua Majestade está frustrado com o descomunal atraso das obras do PAC não pode, sob hipótese alguma, jogar a culpa nos fiscais e ameaçá-los com o paredon. Este tipo de intimidação não se ajusta à imagem de um líder emergente, “o cara”, tão louvado nos quatro cantos do mundo como antítese de Chávez ou Ahmadinejad.
O presidente Lula nomeou a maioria dos ministros do TCU, a Constituição de 1988 que ajudou a escrever e depois jurou respeitar, garante a autonomia necessária ao controle das despesas, antes e depois de serem efetuadas.
A instituição foi criada no formato atual por Rui Barbosa quando era Ministro da Fazenda, em 1890, em seguida à proclamação da República e logo legitimada pela primeira Carta republicana. Dois anos depois, em 1893, durante o surto autoritário do marechal Floriano Peixoto, houve uma tentativa de cercear sua autonomia. O mesmo aconteceu quando a ditadura militar precisou exibir rapidamente os frutos do Milagre Brasileiro antes que aumentasse a pressão popular por mudanças.
Quem não gosta de controles, vigilância, fiscalização ou regulação são os bonapartistas, cesaristas, voluntaristas. E déspotas - assumidos ou distraídos. Os conservadores americanos e seus parceiros no Brasil estão detestando os controles impostos por Barack Obama para evitar novas debacles no sistema financeiro. Não querem perder o seu ilimitado poder de beneficiar-se em detrimento do interesse público.
À esquerda ou à direita, o messianismo e a onipotência são desvios concomitantes na esfera emocional e política. Denotam uma impaciência basilar com qualquer forma de divergência. Acionam acessos de fúria diante de qualquer contrariedade ou contraditório. Criam uma perigosa sensação de infalibilidade que aliada à falsa retórica do senso comum atropelam o bom senso. Já vimos este filme nos anos 30 do Século 20 e as reprises são caricaturais.
Informar e fiscalizar são ações sequenciais, partes do mesmo processo. Ao informar, fiscaliza-se, ao fiscalizar informa-se. Proibir uma, liquida a outra. Falar não produz transparência. No Estado Novo, o D.I.P. era chamado de “O Fala Sozinho”. Caiu de podre.
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Indexação em chamas

Paulo Costa Lima
Uma coisa é a realidade, e outra
coisa é a imaginação. Certo? Nem tanto. Nos tempos do capitalismo cultural a indexação imaginária ameaça se tornar mais real que a realidade.
Por exemplo: existiu na Polônia (na cidade de Cracóvia) um circuito de visitação descrito como 'Lista de Schindler'. Um de seus principais atrativos era o lugar onde "o rapaz que saiu correndo foi baleado e caiu morto". Visitava-se, dessa forma, uma cena de filme.
Mas, na verdade, as pessoas eram levadas ao gueto judeu da cidade para tal vivência, embora as filmagens tivessem sido feitas em lugar completamente distinto. O que estava sendo visitado, portanto, era um lugar imaginado. (Já existe até um termo específico para isso, chama-se dragging, a técnica de misturar cenários).
Todos os aspectos da vida cotidiana estão à mercê da tal indexação. A escola ou faculdade onde se estuda, os jeans que se usa (tudo que se veste), pasta de dentes, as bandas favoritas, as celebridades, as notícias, os políticos.
Talvez seja mesmo necessário reconhecer: não existem produtos, apenas indexações. E, numa visão algo aterrorizante: também não existem pessoas, apenas... apenas o quê?
As pessoas andam, falam e se vestem como se estivessem nos filmes e novelas (novelos, não-vê-las). A imersão é mais real do que a realidade. Seriam as pessoas, cada vez mais, buquês de indexação?
Quase já não é mais possível fazer um enterro digno sem gente usando óculos escuros, como se fossem artistas de Hollywood. Especialmente nas novelas. Quem foi que disse que é preciso esconder as lágrimas?
Mas o que mais espanta é falar numa espécie de meta-indexação. As indexações também são indexadas? Cada pessoa, ou buquê, vai avaliando a cada dia a qualidade do que a sustenta, ou melhor, a qualidade do que se sustenta, nelas. Para Joel Birman¹, o cenário é preocupante:
Encontra-se agora na sociedade contemporânea um conjunto de sujeitos negativamente marcados do ponto de vista narcísico e que não podem enunciar qualquer projeto de futuro. O ódio que perpassa tais sujeitos os conduz à explosão violenta e à ação, pela via da passagem ao ato. Contudo, esta não se restringe apenas às figuras da grande criminalidade, mas também da pequena delinqüência e da violência gratuita, que caracterizam a nossa existência da atualidade.
A indexação da indexação é, portanto, da ordem do narcisismo. Tudo começa na construção do sujeito, em frente do espelho. E é o registro imaginário que controla qualquer 'projeto de futuro'. Não espanta o papel decisivo das drogas.
O problema é que o comércio da indexação regula ao mesmo tempo o grau de felicidade dos viventes (felicidade imaginária) e a capacidade de lucro da indústria. Haverá, dessa forma, sempre, uma menos valia de ódio e frustração integrando a arrumação estrutural das coisas?
E toda essa energia estruturante destrutiva desaguará no assim-chamado terceiro partido, o partido da contravenção? Os outros dois sendo (segundo Melman) o da globalização (dinheiro circulante) e o da nacionalização (o petróleo é nosso)?
Nesse campo de forças que é o atual, percebemos com um certo amargor que a violência se oferece como uma espécie de esfinge para nossa época - decifra-me / devoro-te. Embutida nas relações estruturais corrompe o planeta e a sociedade fingindo ser apenas um caso, um escândalo. Mas é bem mais que isso.
E foi aí que comecei a pensar na cena (imaginária) e na tragédia (real) do helicóptero em chamas no Rio de Janeiro...
¹"Sobre a passagem ao ato", In: Modalidades do gozo, José Antonio Pereira da Silva (Org.). Salvador, Campo Psicanalítico, 2007, p. 60.
quarta-feira, 21 de outubro de 2009
COPA 2014

Jornalista: Jobilei Gonzaga
Agora é a nossa vez. Um dos maiores eventos esportivos do mundo vai ser realizado aqui no Brasil pela segunda vez. A copa do mundo de 2014. Horas antes do anuncio da FIFA, em maio deste ano, provocou a ansiedade em milhões de brasileiros. Quando foi feito o anúncio, até os que não gostam de futebol vibraram, pensando já nos benefícios que a Capa pode trazer.
Os jogos irão ser realizados em 12 capitais do país. Agora vamos para o segundo tempo. É o que provoca mais ansiedade, mas desta vez, são os políticos que estão preocupados. As obras têm dias contados e custam bilhões.
E as verbas! De onde virá? Do Governo Federal, Estados ou municípios. Já tem prefeitos de algumas capitais com um friozinho na barriga, e dizendo por ai, que as prefeituras não têm nenhum tipo de arrecadação para dar pelo menos o início da obras da COPA. Governadores dizem pedir ajuda do Governo Federal. Pêra ai! Eu ouvi o Governo Federal dizendo há um mês, que os jogos da Copa das Confederações de 2013 poderá se dividir entre dois países. Brasil e Uruguai, ou talvez eu possa está enganado.
Os brasileiros são fominhas por futebol, disso já sabemos. Agora difícil é saber se o olho é maior do que a barriga. Prova disso vemos nos estádios milhares de torcedores vibrando, gritando, se rasgando, e até se derramam em lágrimas pelo seu clube favorito. Mas tem um detalhe, enquanto milhares gritam gol, outros pedem comida, segurança, educação, moradia, saúde, que são direitos básicos do cidadão.
Os que vão para os estádios ficam 90 minutos vendo 22 jogadores correndo atrás de uma única bolinha. Enquanto isso os problemas de cada um só depois do jogo. Ficamos divididos se isso parece festa de pão e circo, ou apenas uma forma de dizer, sai pra lá crise. O maior problema agora é com as obras da COPA MUNDO. Até o evento esportivo, teremos mais três eleições. Muita coisa vai mudar. A realidade é que quem estiver no governo, vai ter que ser arrojado, e ter o pulso firme.
A logística disso tudo, é que muitos vão ganhar com isso. Obras e mais obras. Milhares de licitações, além de emprego para muita gente.
Talvez o país de um grande avanço na sua história, pública. É ai que iremos ver, quando o poder público quer fazer ou não. E depois da COPA? Bom isso é outra coisa.
Biscaia: Rio de Janeiro já vive clima de "guerra civil"

Ex-secretário nacional de Segurança Pública, o deputado federal Antonio Carlos Biscaia (PT-RJ) afirma que os recentes atos de violência demonstram que o Rio de Janeiro vive em clima de "guerra civil".
- Esse enfrentamento é muito complicado. E vem também o componente político: alguns governos não querem enfrentar pelo desgaste que pode provocar nessas áreas com eleitores de comunidades carentes. Mas chega um momento em que não há mais condição.
No último fim de semana, um confronto entre policiais militares e traficantes resultou em pelo menos 25 mortos no Morro dos Macacos, zona norte carioca. O incidente ganhou contornos de barbárie: um helicóptero da Polícia foi derrubado, e um corpo foi encontrado dentro de um carrinho de supermercado abandonado na região.
Biscaia diz que, se restrita ao Brasil, a legalização das drogas não é uma alternativa viável para combater o tráfico. "Você pode até debater o tema, mas a questão da descriminalização, da liberação, teria que ser tomada de forma global", pondera. "Se isso for tomado unilaterlamente por um só país, vai ser destrutivo, porque esse país vai se tornar o foco do consumo".
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
E por falar em PAC...

O retorno de quem não foi...
